Ficha técnica


Elenco:

Cláudio Dias
Isabela Paes
Marcelo Souza e Silva
Odilon Esteves
Zé Walter Albinati

 

Cenotécnicos: Henrique Fonseca e Alexandre Silva

Figurino: Yumi Sakate

Criação de Luz: Felipe Cosse e Juliano Coelho

Criação Gráfica: Estudio Lampejo

Fotografia: Carol Thusek e Raquel Carneiro

Direção: Miwa Yanagizawa e Maria Sílvia Siqueira Campos

Assistente de direção: Liliane Rovaris

Texto: Areas Coletivo de Arte e Cia. Luna Lunera

Interlocução dramatúrgica: Carlos de Brito e Mello e Liliane Rovaris

Ambientação sonora: Constantina

Cenário: Yumi Sakate e Areas Coletivo de Arte

Assessoria de comunicação: Luísa Lóes

Assessoria de imprensa: Mauricio Mellone

Produção executiva: Nathan Coutinho

Assessoria administrativa: Vinícius Santos

Gestão financeira: Graziane Gonçalves

Coordenação de produção: Larissa Scarpelli

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SINOPSE

Sua vida se deu no passado, é atropelada pelo presente, é adiada pra quando? Urgente, novo espetáculo da Cia. Luna Lunera, em parceria com o Areas Coletivo de Arte,  é a captura do tempo de cinco pessoas. Cotidianos ordinários num espaço condensado. Relações inflamadas. O que se pode – ainda – desejar?  E a vida se dando num lugar rachado.

O ESPETÁCULO

É recorrente a impressão de que os dias, meses e anos passam cada vez mais rápido, assim como a sensação de impotência diante disso. Pessoas relatam a infinidade de planos e sonhos que morrem nas gavetas, a vida adiada para um futuro que nunca chega. O presente parece tornar-se, muitas vezes, o cumprimento de um amontoado de obrigações quase mecânicas. Em um mundo ainda regido pela obsessão pelo novo, o envelhecimento das pessoas e dos objetos é visto como ameaça da ampulheta impiedosa. Com 1h40min de duração, “Urgente” busca criar uma pausa, suspender o tempo, para criar com o público um tempo (ou um passado) em comum.

Em um cenário composto por quatro nichos de um metro quadrado cada, onde habitam cinco personagens e suas complexidades, um enredo ficcional não linear se revela aos poucos e se relaciona com retrospectivas de vida dos atores, de dois minutos cada. Como resumir uma vida em um tempo tão diminuto? O que nos marca e nos constitui como pessoas?

Estamos sendo inundados por todos os lados de imagens, sons, informações. Teríamos ainda a capacidade e o tempo necessário para a concentração e a reflexão? Segundo o pesquisador Paul Virilio, o ser humano, mesmo que absorvido pela instantaneidade, tem também a necessidade de contexto, de memória, de cultura – que demandam duração e relação. E, talvez por isso, vivenciamos esta atual e dolorosa busca por sentido.

Há mais de dois mil anos, o filósofo romano Sêneca já dizia que a vida não é assim tão curta, somos nós que a tornamos breve ao nos dispersarmos, ao nos atarefarmos constantemente. Para ele, os “ocupados” estão sempre preocupados com o futuro – que é essencialmente incerto, e perdem assim o tempo presente – o único sobre o qual podemos agir.

 Ao mesmo tempo que fazemos coisas demais, que nos ocupam demais, parece que muitas vezes vivemos esperando o momento certo em que enfim viveremos de fato. Vivemos esperando o final de semana, as férias, a aposentadoria. Muitas vezes, nos programamos para viver plenamente quando conseguirmos aquela promoção, quando comprarmos o apartamento, quando chegarem os filhos ou quando os filhos crescerem. Como diz a famosa frase do filósofo Blaise Pascal, “nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos”, sem perceber que o que deixamos passar não é apenas tempo, mas nossa própria vida.

 

PROCESSO CRIATIVO

“Urgente” é fruto da parceria entre a Cia. Luna Lunera e o Areas Coletivo da Arte, que assina a direção da peça. O processo de gestação do espetáculo também contou com a interlocução dramatúrgica do escritor Carlos de Brito e Mello, que realizou uma conexão entre a literatura, a filosofia e a poética das cenas.

A ambientação sonora da peça tem a assinatura da banda Constantina, grupo instrumental belo horizontino de forte caráter investigativo e experimental. A proposta era que eles fossem afetados pela poética inicialmente colocada em cena e, a partir daí, entrassem em diálogo com a mesma, através de releituras musicais da cena, interferências e provocações.