Ficha técnica

Direção: Isabela Paes

Dramaturgia: Marcos Coletta e Cia. Luna Lunera

Assistência de Direção: Cláudio Dias

Atores/Criadores: Anderson Luri, Cláudio Dias e Letícia Castilho

Figurino: Camila Morena e Cia. Luna Lunera

Cenário: Ed Andrade e Cia. Luna Lunera

Criação de Luz: Marina Arthuzzi e Jésus Lataliza

Vídeos: Fabiano Lana

Design: Rafael Maia

Fotografia: Kika Antunes

Assessoria de Imprensa: Marco Túlio Zerlotini

Estagiário de Comunicação: Marco Túlio Bayma

Produção Executiva: Nathan Coutinho

Direção de Produção: Isabela Paes

Produção: Cia. de Teatro Luna Lunera

SINOPSE

Três corpos, histórias múltiplas, rompendo o espaço, recriando mundos ainda que exaustos. Como olhar para uma realidade destruída e encontrar nela algum grão de potência, algum ponto de vida, alguma faísca de resistência? Como se refazer a partir do esgotamento? A roda range, o cerco se fecha. É preciso abrir os olhos e ficar de pé para tentar, mais uma vez, abrir caminho no tempo e no espaço.

O projeto A Potência da Precariedade, que deu origem ao espetáculo, é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, com patrocínio do Instituto Unimed-BH e apoio do CCBB-BH.

SOBRE O ESPETÁCULO E SEU PROCESSO CRIATIVO

Durante os últimos meses, os trabalhos de criação de E Ainda Assim se Levantar foram intensos na sala de ensaio. Como todos os processos criativos da Cia. Luna Lunera, os questionamentos apresentados pelos atores foram conduzindo os trabalhos. Se em espetáculos anteriores essas questões estavam relacionadas a uma dimensão mais íntima, em E Ainda Assim se Levantar o ambiente é mais amplo, expondo situações que nos afetam social e politicamente. Cada ator traz consigo não só seus dramas pessoais, trazem todo esse contexto que dividimos. Trazem o que viver neste aqui e neste agora constrói e deforma em seus corpos e subjetividades. Trajetórias e conflitos diferentes, mas um grande cansaço em comum. Encontram-se para tentar juntos não desistir, encontrar forças. Decidem tentar criar algo, realidade e ficção se fundem todo o tempo. Sentem o cerco se fechar, parece que a noite será longa. Compartilham a quase exaustão, mas cada um encontra no outro e no jogo das relações, faíscas de alegria que teimam em aparecer. E da promessa íntima de não se entregar surgem forças para continuar um pouco mais.

O espetáculo promove um encontro mediado por três pessoas: um homem jovem, uma mulher e um homem maduro. O Homem Jovem parece sempre estar no caminho certo, rumo ao sucesso, à vitória, à realização. O topo. Mas, na própria corrida sem tréguas, sente que se perdeu no fundo de tanto otimismo e certeza. Todos os dias, ele tem vontade de chorar. Tenta entrar em contato com o menino que pede colo dentro dele. Tenta quebrar a máscara de ferro moldada para esse homem. Tenta desfazer os inúmeros nós em sua garganta.

A Mulher não consegue identificar ao certo de onde vem o cansaço. Cansada de ter que provar tudo o tempo todo. Cansada de ter que ser forte para conseguir ser ouvida. Cansada de ter que mostrar que não quer ser objeto de desejo. Cansada de chorar todos os dias. Cansada de ter que trabalhar tanto. Cansada de ter que vestir um personagem na vida. Mas ela também não vai desistir. Seria como perder-se de si mesma. Encontra no outro, no jogo, nesse encontro aqui e agora e em sua própria voz as faíscas que a reacendem. E, às vezes, por breves momentos, conseguimos vê-la por inteiro. Sabe que é preciso defender a alegria.

O Homem Maduro sempre ia à frente, mas está cansado da luta, cansado dos golpes. Parece difícil continuar sendo artista, gay, ativista, mas ele não sabe ser outra coisa senão ele mesmo. A caminhada foi longa e sente a idade, o corpo envelhecendo, as inúmeras derrotas. Pensa em desistir. Não consegue nem mais chorar. A morte ronda. Mas para ele talvez não tenha outra saída, enquanto estiver vivo vai insistir em viver. Insiste pelo toque. Tocam-se os corpos. Tocam-se os tambores. Renasce pela música, mas sabe que a cada dia deverá renascer novamente, insistir. A batalha não está ganha. Ao contrário, está longe de terminar.

Como encontrar forças para seguir em frente? Como manter a esperança e o desejo com todas as ameaças no futuro? Como ainda ajudar e ouvir o outro quando se está prestes a cair? Como continuar quando nossos corpos não aguentam mais? Como ainda acreditar quando o discurso de ódio nos cerca? Como podemos encontrar o que nos une quando as lembranças que voltam expressam o que nos dividiu profundamente? Como fazer teatro quando a palavra se tornou perigosa? Não temos respostas, mas sabemos que não vamos desistir.